quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

[Registros do Facebook/Postagens] (adaptado)The Power of Goodbye

http://www.facebook.com/brunoguimaraes11/posts/329078303799613


http://www.youtube.com/watch?v=NHydngA5C4E

Freedom comes when you learn to let go
Creation comes when you learn to say no
You were my lesson, I had to learn 
I was your fortress, you  had to burn                                                                             

Música linda. Emocionante. Especial. E recorrente na minha vida. Tanto quanto a questão do desapego - algo bem desafiador para um taurino, ainda mais com lua e ascendente em signos de água (risos). Madonna linda como sempre, e emocionante. Letra foda demais (com o perdão da palavra). Não há como não ficar tocado.Sou da opinião de que levamos não as pessoas, mas o melhor que extraímos daquele universo, cuja completude apenas seu dono, o indivíduo, possui. Sou da opinião de que tendemos a nos agarrar àquelas marcas, à forma como são moldadas e deixadas...à forma como recebemos afeto, à pessoalidade, singularidade, particularidade. Associações - entre pessoa e atributos, conquanto contextualmente particularizados - que fazem esquecer-nos de que existem por aí tantas outras pessoas capazes e dispostas a estabelecer uma troca, imprimindo uma marca, deixando seu legado e afirmando, por suas atitudes, como se "inventam" e crescem a paixão e o amor de um milhão de maneiras possíveis. Em suma, nos apegamos  à forma como recebemos carinho, atenção, apoio, e difícil é dissociar de quem dá a qualidade do que é dado. Querer mais e mais, nada mais justo e natural, porém igualmente perigoso na medida da força do elo, do vínculo...quanto maior, maior a força para ser quebrado, maior a dor sofrida.

Talvez a parte mais tangível e cruel do apego seja o quanto de energia lançamos e investimos em uma relação, ou em uma tentativa, colocando à frente, de forma porém mais inconsciente, nosso anseio por retorno e reciprocidade. Principalmente quando houve uma forte sintonia. Nada mais humano e natural, quando se tem um objetivo e portanto quer-se perseguí-lo obstinadamente. Quem nunca teve medo de perdas, ou reviver experiências infrutíferas anteriores? Que o digam os ciumentos e possessivos. Uma tentativa malograda tem a lembrança do quase, e, muito embora tratando - se de tentativa, ela nos revive um gosto de perda. Asssim são os inconformados, e inconformistas por excelência. Querer e tentar mudar o que não foi consumado é tão nobre quanto ingrato. O sentimento de extrema urgência consome o inconformado. O quase, sob as sombras da angústia, equipara-se à perda. "Quando será?" " Até quando...?" Profusão de sentimentos...medo...incapacidade de perder...extremismo do tudo ou nada...angústia do imediatismo...obstinação opor esta última desencadeada. "Quero agora e quero pra mim." Pensamos: "felicidade é pra ontem". É. A vida é um caminho incerto, tortuoso, tormentoso, e de extensão que desconhecemos. Tudo isso já é por demais angustiante. Surge a necessidade de despertar e educar mente  e coração para o aprendizado de que felicidade é um meio, não um fim...acredito que temos dentro de nós essas respostas. O difícil é saber onde, dentro de nós, elas estão. Desfazer velhos nós sempre reencontrados, e internamente reconciliar-se. Humanamente difícil também, é reagir lembrando que a proporção de uma frustração é diretamente proporcional ao tamanho da expectativa gerada. Mas convém lembrar uma oportuna distinção: expectativas x objetivos. Humanamente impossível,talvez, reagir sem que frustrações geradas tenham impactos emocionais consideráveis.  Entre querer, e esperar, bem como entre  querer e ter, há aquela distância de que sempre se esquece, inconscientemente. Ao tentar não significa que mudaremos toda e qualquer circunstâncias, muito embora a quebra da inércia seja o impulso para que vidas reajam e se transformem.


Quem genuinamente se apaixona, se entusiasma e esquece-se de que o maior tropeço disso é acreditar que mudaremos o mundo, ou nos mudaremos. Difícil é a tenra e flamejante paixão aceitar -  e não "entender" - que as ilusões de todo um encantamento, um deslumbramento, não devem ocultar a necessidade, de forma realista, de conhecer o outro, e atentar para sinais contidos nas entrelinhas. Difícil, sim, porque em meio à chatice cotidiana queremos algo mágico, que faça a diferença, que ao olhar acrescente brilho de adicional felicidade...paixão romantismo que tem também o condão de fazer,como nunca na vida, sermos vistos de forma   incomparavelmente doce e especial...quiçá como heróis...talvez como num conto de fadas...quando querer agradar e mudar-se fere mais do que se imagina. Aquela sensível alma certamente fará de tudo para conservar ao máximo possível a atmosfera de romance, envoltório de toda uma paixão, que naturalmente caminha na corda bamba, entre o risco de expirar em sua fulminância, ou prosseguir e perseverar no amor, experimentando também dos espinhos deste. Desconcerta, gera sentimento de impotência, e simultaneamente conforta saber que, como tudo na vida, nossos poderes são limitados, e não são diferentes quanto ao mudar ou interferir em determinada investida. Perdemos o senso de que não devemos mudar, apenas melhorar se for o caso. Não temos o controle, principalmente quando certas conquistas são bilaterais, e apenas a vontade de um dos pares não é suficiente para que de uma mera situação nasça uma relação.* 

Mas sempre haverá o dia em que estaremos suficientemente fortalecidos para o libertador adeus. Que não é o fim. Prefiro pensar como um recomeço. Uma nova chance para nós. Assim como a morte não é o fim, mas o início de uma nova fase da vida. Confortará a chegada do momento em que perceberemos não pela pura razão (quanta ingenuidade) - mas porque o coração volta a si, cansado de sofrer, e nisso com ela se harmoniza -  que criar e escrever nosso destino não necessariamente significa ter tudo que queremos. E que o apego perde ainda mais sua razão de ser por representar mais e mais algo que se distancia no passado. Sendo fato de que o mais difícil em tudo isso seja efetivamente despertar que não temos o poder de controlar tudo, como fruto de nossas limitações. 
Sinto-me paradoxalmente feliz por compartilhar isto. Sinto-me feliz por  chegar à conclusão de que sou mais forte do que sempre pensei. Sentir-me-ei feliz se com estas despretensiosas linhas tiver auxiliado alguma dolorida e amorosa alma. Sou feliz e forte por sempre seguir em frente. O que não quer dizer negar os pretéritos percalços, mas deles ter extraído e sedimentado as reflexões que me edificam.Qualquer que seja a intensidade da dor, sempre acordaremos para isto: só não erra, só não perde quem nunca tentou. 
 Calorosos abraços.


*(Ah, sei..."amizade com  benefícios"? Não...não gosto e não pratico essas modernidades...são perfeitas para pegação, descompromisso...amizade propriamente dita, que  é sentimento que cria e une irmãos, não se coaduna com sexo oportuno. Até tento colocar-me na pele de um adepto, e parece a priori válido quando se procura sexo com alguém que valha a pena (sobretudo em termos de respeito, afinidade e afetividade, prioritários à química e atração). Posso ser careta, quadrado ou algo mais do gênero, porém cada pessoa funciona de forma diferente...funciono diferente disso...e aqueles atributos conduzem a situação  que não uma que seja propícia à formação de um laço  de fraternidade...mas de outro que, se idôneo, forma um laço de cumplicidade entretanto em sintonia de diferente vibração. Talvez fosse correto dizer:  sentimentos, confrontados, de amplitude parecida, porém diferente frequência. (Perdoem-me os físicos pela possível gafe.) Conjuntos que, embora encontrem interseção, e estejam em um universo, são todos diferentes. Eis aí razão pela qual não faria sexo com um amigo...e a segunda é porque sexo é o decorrência, um complemento, de algo que se desenvolve na área exclusiva (e não comum) de uma daquelas esferas ou conjuntos. Alguém com quem fazemos sexo casual terá sido necessariamente um contato/conhecido, poderá ser eventualmente, de novo, um parceiro (em sentido lato, não necessariamente afetivo, com denotação de contraparte de uma relação sexual), poderá quiçá se tornar um par/companheiro (não sou daqueles, por exemplo, daqueles que acham que as mulheres devem se casar virgens, apenas  que sexo é importante e ajuda a manter, mas não o eixo de uma relação...não quero dizer que sexo aparece em momento posterior como se quisesse nisso traduzir uma ordem cronológica, mas um papel secundário numa escala de prioridades para seres dotados de natureza e necessidade biológica não preponderantes às suas características racionais, cognitivas e afetivas, sem as quais estaríamos falando de animais que chamamos meramente de "bichos").  Mas não, não cabe ao amigo real o papel  que buscamos no contato ou no parceiro ("peguetes", como vulgarmente se diz por aí)...vamos separar as coisas, por favor. Nada de oba oba nisso...porque com sentimento não se brinca. É difícil imaginar aquele amigo do peito como um irmão só que não do seu sangue? Simples assim.   

Nenhum comentário:

Postar um comentário