Cansado que estou das Liras, ocupado com os tais desconcertos que sempre nos perturbam a existência, começo a recordar, vagarosamente, de desvarios recentes...nascidos de uma "rotineira" ressaca moral. Leia-se: moral. Sim,senhores. Oh, qual seria a novidade nisso? Mais um tanto de nossas profundezas que emerge desagradavelmente. Surpreendo-me com minha própria irritação ao me ver acometido desse mal...mas logo logo pendurado ao telefone com um amigo, divertimo-nos com as futilidades que transformamos em tragédia grega. Mundinho cretino esse nosso, costume cretino esse nosso, que estreita nosso enxergar, quando privados estamos de tudo que satisfaz nossos caprichos. Vertiginosamente me sacodem as recordações de quando cometi o crime de fazer alguém sofrer, não importa se com ou sem culpa; aquela visceral dor da solidão, do encanto quebrado, da doce e majestosa sinfonia transformar-se numa
real tragédia...agora com a fúria do mais cruel dos algozes, no intento de crucificar-nos a todo custo. Orgia...gemidos...embriaguez...gargalhadas. Acoites...dores...eis que ergo-me daquele sonhar acordado num dantesco inferno de sentimentos. O que teria sido??? Feito furacão me invadiram todas as possíveis e demasiadamente humanas emoções. Despido, de corpo e alma, respiração intensa, arrepios no corpo....não sei definir aquela profusão que se apoderara de mim. Tolo. Brinquedo. Prostituto. Leviano. Infantil. Dor e prazer em seus ápices. Sempre queremos mais. Não importa quanto nos custe. Não há um papel em que o destino nos coloque indefinidamente. Ontem, delfim. Hoje, miserável. Amanhã...este ainda não nos pertence. E nos surpreende. Nao raramente desconcertando-me ao dizer que posso ou não estar tão senhor assim...de mim...das coisas...do alguém que se insiste aprisionar.
Pego-me então num hiato...incompreensível. O que dizia eu, mesmo, ao telefone?
sábado, 14 de fevereiro de 2009
domingo, 8 de fevereiro de 2009
Devaneios.Recorrências.Redenções.
Nem sei porque calhei de escrever essas linhas, mas enfim, tudo e mais barato que aquela inocente sessãozinha chamada de “terapia”; aliás, não sei ate hoje qual a diferença entre uma e outra nessas vertentes estudiosas da psique e do comportamento humano, já que por uma inclinação quase automática tendemos a transformar , na primeira oportunidade , tudo aquilo em que podemos nos escorar em nosso divã. Cresci numa cultura babaca, inflada pelas boçalidades de meu pródigo progenitor ( observe a palavra ), segundo o qual homem não chora, etc e tal, aquelas primeiras ignorantes sementes de um estoicismo vazio, que inutilmente insiste em nos induzir ao erro de achar que somos podemos nos tornar impassíveis, ou resistentes a todo tempo, ignorando a precariedade de nossa existência. Precária, acredito eu – e cultivo a fé nesse raciocínio, procurando chegar a uma convicção, como todo ser prudente,pela razão e não pelo fanatismo ou mera eliminação especulativa induzida pelo desespero – não pela deriva a que nos expõe em meio a esse vai e vém de sentimentos e emoções, toda essa barafunda de experiências,sensações e recorrências, mas por si própria, a um tempo sublime e miserável, pagando o preço de revelar as pequenas glórias de sua miserável realidade e aspirações transcendentais utópicas. Quem nunca quis ou teria deixado de ser pobre o suficiente para nunca querer sobrevoar esta medíocre e vulgar atmosfera quotidiana? Libertar-se de si, e sentir por cima?
Eis, aqui, também,algo que me desgosta profundamente: o quotidiano tem o gosto do comum, o que é de todos, ou por eles partilhados, não importando sob qual contexto,situação ou prisma particular. Remete a uma espécie de grande alma coletiva, que por sua vez nos leva ao espírito da época,em grande parte, reduzindo-nos a um bilionésimo desse universo de indivíduos, fazendo-nos ser ocultados sob o véu da ingrata e multifacetada história. Toda aquela lembrança do burburinho, transeuntes debatendo-se por todas as partes, dividindo seu ouvido e sua alma entre o redor e suas misérias, ou seus ínfimos e banais deleites.Pedintes refestelando-se em plena praça pública.
Não. Não posso. Não me permito essa degradação. Diz célebre filósofo de minha predilação que liberdade é algo para bem poucos. De início, inflou-me de raiva tal afirmação. E hoje rendo minhas reverências a essa “filigrana”. Deleito-me tal qual me encontrasse em pleno orgasmo. Afinal, o que diferiria o pobre de espírito homem comum movido a pão e circo do indigno e vulgar animal domesticado? Aquele ainda tem a vergonha de ter perdido o amor pela vida, pelo pensar, por tudo que há de mais sutil e sublime imaginável. Ocupa-se juntando as migalhas de sua vida, especulando imagináveis e inimagináveis vantagens que supostamente o alçassem a um status superior ao do seu vizinho. Não se distingue dos prostitutos. Afinal ele mesmo já se tornou a própria promiscuidade. Promiscuidade moral por excelência. Irretratável. Caso perdido, talvez. Desde os mais prosaicos atos de sua vidinha pessoal. Amor - se é que já o vivera – de longe é algo que perdera o significado. E aí reside mais um equívoco, que nos impinge todo e qualquer brilho de malicia (e maldade) nos olhos como plenitude de vida. “Rir é ser malicioso com boa consciência.” Intrigas, danças tétricas,“legitimadas” e perpetradas em nome das mesmas paixões que os miseráveis colocam ao mesmo patamar do “amor”.
Ah, sim,você, leitor, se pergunta, onde quero chegar. Amor, paixões, intrigas, liberdade...amor, paixões, intrigas,liberdade...amor, paixões, intrigas... mal sabemos discernir em nosso espírito. Nem se trata de definir ou conceituar...apenas perceber quanto somos incapazes de nos distanciar e resgatar o genuíno sentido de “humanidade” pelo qual algum dia talvez passamos. Tudo que tocamos, queremos,e almejamos se transforma em vendas...transações...já não sei até que ponto se alienou o “eu”. Alienou-se. Foi alienado. Impresso em código de barras. Marcado como gado. Já não existem marcas, pegadas, suprimem-se individualidades. Negociam-se relacionamentos alheios. Liberdade,onde ela está? Onde? Já esteve? Desfez-se tal qual miragem. Nossa vã inspiração, a vã embriaguez que povoa todo tipo de utopia, não testemunha qualquer final feliz. Talvez eu mesmo não tenha percebido quanto esse espírito mercador putrefato tenha se alastrado e imiscuído à atmosfera ao redor. Tenho um mundo particular,somente meu. Tudo posso. Sacodem-me fantasias, delírios, desejos e prazeres proibidos, um vulcão de emoções e sentimentos inimagináveis. Não há inquisidores, perseguidores ou executores. Thánatos despreza, afinal, toda sorte de infelizes convenções e vulgares aspirações humanas.
Eis, aqui, também,algo que me desgosta profundamente: o quotidiano tem o gosto do comum, o que é de todos, ou por eles partilhados, não importando sob qual contexto,situação ou prisma particular. Remete a uma espécie de grande alma coletiva, que por sua vez nos leva ao espírito da época,em grande parte, reduzindo-nos a um bilionésimo desse universo de indivíduos, fazendo-nos ser ocultados sob o véu da ingrata e multifacetada história. Toda aquela lembrança do burburinho, transeuntes debatendo-se por todas as partes, dividindo seu ouvido e sua alma entre o redor e suas misérias, ou seus ínfimos e banais deleites.Pedintes refestelando-se em plena praça pública.
Não. Não posso. Não me permito essa degradação. Diz célebre filósofo de minha predilação que liberdade é algo para bem poucos. De início, inflou-me de raiva tal afirmação. E hoje rendo minhas reverências a essa “filigrana”. Deleito-me tal qual me encontrasse em pleno orgasmo. Afinal, o que diferiria o pobre de espírito homem comum movido a pão e circo do indigno e vulgar animal domesticado? Aquele ainda tem a vergonha de ter perdido o amor pela vida, pelo pensar, por tudo que há de mais sutil e sublime imaginável. Ocupa-se juntando as migalhas de sua vida, especulando imagináveis e inimagináveis vantagens que supostamente o alçassem a um status superior ao do seu vizinho. Não se distingue dos prostitutos. Afinal ele mesmo já se tornou a própria promiscuidade. Promiscuidade moral por excelência. Irretratável. Caso perdido, talvez. Desde os mais prosaicos atos de sua vidinha pessoal. Amor - se é que já o vivera – de longe é algo que perdera o significado. E aí reside mais um equívoco, que nos impinge todo e qualquer brilho de malicia (e maldade) nos olhos como plenitude de vida. “Rir é ser malicioso com boa consciência.” Intrigas, danças tétricas,“legitimadas” e perpetradas em nome das mesmas paixões que os miseráveis colocam ao mesmo patamar do “amor”.
Ah, sim,você, leitor, se pergunta, onde quero chegar. Amor, paixões, intrigas, liberdade...amor, paixões, intrigas,liberdade...amor, paixões, intrigas... mal sabemos discernir em nosso espírito. Nem se trata de definir ou conceituar...apenas perceber quanto somos incapazes de nos distanciar e resgatar o genuíno sentido de “humanidade” pelo qual algum dia talvez passamos. Tudo que tocamos, queremos,e almejamos se transforma em vendas...transações...já não sei até que ponto se alienou o “eu”. Alienou-se. Foi alienado. Impresso em código de barras. Marcado como gado. Já não existem marcas, pegadas, suprimem-se individualidades. Negociam-se relacionamentos alheios. Liberdade,onde ela está? Onde? Já esteve? Desfez-se tal qual miragem. Nossa vã inspiração, a vã embriaguez que povoa todo tipo de utopia, não testemunha qualquer final feliz. Talvez eu mesmo não tenha percebido quanto esse espírito mercador putrefato tenha se alastrado e imiscuído à atmosfera ao redor. Tenho um mundo particular,somente meu. Tudo posso. Sacodem-me fantasias, delírios, desejos e prazeres proibidos, um vulcão de emoções e sentimentos inimagináveis. Não há inquisidores, perseguidores ou executores. Thánatos despreza, afinal, toda sorte de infelizes convenções e vulgares aspirações humanas.
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