sábado, 14 de fevereiro de 2009

Estranho viver.

Cansado que estou das Liras, ocupado com os tais desconcertos que sempre nos perturbam a existência, começo a recordar, vagarosamente, de desvarios recentes...nascidos de uma "rotineira" ressaca moral. Leia-se: moral. Sim,senhores. Oh, qual seria a novidade nisso? Mais um tanto de nossas profundezas que emerge desagradavelmente. Surpreendo-me com minha própria irritação ao me ver acometido desse mal...mas logo logo pendurado ao telefone com um amigo, divertimo-nos com as futilidades que transformamos em tragédia grega. Mundinho cretino esse nosso, costume cretino esse nosso, que estreita nosso enxergar, quando privados estamos de tudo que satisfaz nossos caprichos. Vertiginosamente me sacodem as recordações de quando cometi o crime de fazer alguém sofrer, não importa se com ou sem culpa; aquela visceral dor da solidão, do encanto quebrado, da doce e majestosa sinfonia transformar-se numa
real tragédia...agora com a fúria do mais cruel dos algozes, no intento de crucificar-nos a todo custo. Orgia...gemidos...embriaguez...gargalhadas. Acoites...dores...eis que ergo-me daquele sonhar acordado num dantesco inferno de sentimentos. O que teria sido??? Feito furacão me invadiram todas as possíveis e demasiadamente humanas emoções. Despido, de corpo e alma, respiração intensa, arrepios no corpo....não sei definir aquela profusão que se apoderara de mim. Tolo. Brinquedo. Prostituto. Leviano. Infantil. Dor e prazer em seus ápices. Sempre queremos mais. Não importa quanto nos custe. Não há um papel em que o destino nos coloque indefinidamente. Ontem, delfim. Hoje, miserável. Amanhã...este ainda não nos pertence. E nos surpreende. Nao raramente desconcertando-me ao dizer que posso ou não estar tão senhor assim...de mim...das coisas...do alguém que se insiste aprisionar.


Pego-me então num hiato...incompreensível. O que dizia eu, mesmo, ao telefone?

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