sexta-feira, 20 de abril de 2012

[Registros do Facebook/Comentários] Relação, emoção, intensidade e autodestruição

(Comentário/resposta minha à publicação indicada no link acima:)
Quando todo afeto individual é direcionado ao parceiro, você deixa de se dar valor e acaba se tornando dependente. Como se estivesse consumindo uma droga. Acredito que o maior equilíbrio a ser alcançado é entre se dedicar e se viciar, o que envolve, em seu cerne, equilibrar o componente emocional presente. Nesse mundo tão volátil de hoje é tão mais raro encontrar alguém que dê valor e genuinamente se entregue ao romantismo que, sem perceber, podemos nos apegar demais a isto de que sentimos falta, e, por consequencia, ao companheiro. Difícil aceitar que o excesso de energia concentrada no outro desgasta a relação mais rapidamente, precocemente exaurindo-a e reduzindo a apenas dias ou meses de fulminante paixão uma convivência que se lhe dada a oportunidade de evoluir, e paulatinamente, realmente poderia trazer uma relação mais sólida, no lugar de momentos de muita intensidade entre os amantes. Também difícil aceitar que toda essa avidez, essa vontade de ir com sede ao pote, que traz sim toda uma intensidade, ao mesmo tempo gere tantas dúvidas, angústias, e insegurança - quando se está mergulhado de cabeça (mais situação do que relação).
Cada um tem uma concepção bem própria e pessoal do que seja felicidade. É visceral. Começamos por primariamente buscar e pensar em algo que dê mais vida à nossa vida, e que faça faça nos sentirmos vivos. Aquela coisa mágica, especial, arrebatadora, grandiosa, desejada pela fantasia, quiçá em tons de romance à Lord Byron é o que move e consome temperamentos mais sanguíneos e emocionais, via de regra sempre mais dispostos a romper com o medíocre e preto e branco cotidiano. A tendência natural para esses indivíduos (eu incluído rs) é tomar demais a iniciativa, algo este (iniciativa) a que já são essencialmente dados. Estamos tão preocupados em acompanhar o outro, mas estará ele também preocupado em nos acompanhar? O desafio passa a ser não perder o centro de si, e ter um mínimo de frieza e racionalidade para avaliar se estamos tendo reciprocidade. Avaliar sem que isso signifique ficar sem chão, estar o mundo caindo diante de nós, ou assistindo a um castelo de areia desmanchar-se. Momento,este, em que ter o pé no chão torna-se a nossa força mais próxima e concreta.
Orgulho? Pode ser. Um pouco dele não faz mal a ninguém. Mas prefiro chamar de autorespeito. Sem o qual vivemos de migalhas de sinais que imaginamos ser de afeto e nem sempre (quase nunca) o são.
Amar sem ser amado é algo ao qual deve o homem se negar incondicionalmente. Pessoas que amam demais e não sabem quando parar tornam-se fadadas à autodestruição.
Em suma: muita disciplina necessária. E haja paciência.
(Esperamos sempre aprender antes que seja tarde, e muito tempo tenha se passado.)

(Contribuições de um Taurino meio Ariano com ascencente na cúspide Gêmeos-Câncer (controvérsias subjacentes) e Lua em Escorpião...(não, não é em Libra).